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Livro Das Terras Bárbaras

Das terras bárbaras

Lançado na FLIP 2019, foi o segundo livro mais vendido na Livraria do Comendador (Casa PublishNews) e escolhido a obra do mês de setembro de 2019 do Clube do Livro da revista literária Quatro cinco um (que o apresenta como “uma revelação da literatura brasileira”). Retrata “o país que continua a desafiar nossa civilidade” (O Globo), em um relato “sobre arrebatamentos e temores de todos os tamanhos…com fabulosos personagens…repleto de surpresas” (Jornal do Brasil), com uma “narrativa ágil, entremeada por momentos de graça, ironia” (Valor) e que “vale a pena ser lido” porque “possui uma carpintaria sofisticada e momentos realmente dignos de nota” na qual “o leitor vai avançando pelos capítulos roendo as unhas por descobrir o que uniria personagens tão díspares assim” (Bravo!). É um “romance histórico meio erudito, meio popular” que “provoca no leitor uma sóbria (e ao mesmo tempo triste e sardônica) consideração sobre o nosso destino como povo” (Jornal de Brasília) e “um alento” para o leitor “cansado de mesmice”, “um livro erudito sem ser pedante” com uma “trama ágil e bem amarrada, que prende a atenção da primeira à última página” (Época).

Os personagens deste livro movem-se na barbárie das florestas, no Brasil de quatro séculos atrás, um mundo assombroso e distante – em que as pessoas cuspiam fogo, andavam nuas, fugiam da verdade para se defender, escravizavam índios, traficavam negros, escondiam seus amores, comiam uns aos outros. Um romance histórico em que o universo seiscentista se entrelaça com os dias atuais, traçando o retrato de um país inacreditável. Relatos selvagens de terras em brasas, tão longe tão perto de nós.

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Direto na orelha

por Roberto Pompeu de Toledo

Dá para abandonar um livro que começa com uma sorrateira mordida na orelha? Resposta: não dá. Ainda mais quando o gritinho da dona da orelha é estrategicamente abafado pelo pio das gaivotas, de modo a passar despercebido pelo marido. Das terras bárbaras, de Ricardo da Costa Aguiar, é um livro cuja primeira singularidade é desdobrar-se em dois — um ambientado na era contemporânea, protagonizado por um diplomata, o outro no século XVII paulista, protagonizado por um padre jesuíta. Diplomata e padre são ambos ligeiramente doidivanas (talvez nem tão ligeiramente assim) e empenham-se, um e outro, em peripécias ligeiramente picarescas (ou não tão ligeiramente assim). Os capítulos se alternam entre um período (e um protagonista) e outro. A leitura é fluida; avança-se ansioso por saber que diabos de peripécias ainda aguardam tanto o padre quanto o diplomata. A segunda singularidade do livro é a graça, a erudição e a verossimilhança com que o autor nos traz de volta o ambiente do século XVII na parte sul do Brasil. Não há dúvida de que fez bem a lição de casa, para nos apresentar da forma como apresenta os ares, os sons, as cores, a natureza e a arquitetura dos lugares, bem como a linguagem, as crenças, os medos, a sensualidade e a bestialidade das pessoas do período. “Sempre li muito sobre os séculos XVI e XVIII”, disse-me Ricardo, “o primeiro por causa das descobertas, da Contrarreforma, da colonização e das primeiras vilas, o segundo pelo Iluminismo, as revoluções, a emergência dos Estados-nação em toda a sua força.

O século XVII, no entanto, eu desprezava; era uma espécie de hiato sem colorido.” A curiosidade pelas origens de São Paulo mudou o foco de suas atenções. Voltou-se para os livros e documentos sobre as bandeiras, os jesuítas, a geopolítica e os conflitos da vasta região que, descendo das Minas Gerais até os limites ambíguos das terras dominadas pelos castelhanos, ao sul, e estendendo-se ao oeste até os grandes rios da bacia do Prata, Antonio Candido chamou de “Paulistânia”, pela influência da cultura paulista. Enquanto o diplomata, no século XXI, se envolve em tão variadas confusões quanto a busca enganosa de notícia dos antepassados e um caso de falsificação de passaportes, sórdidas intrigas no ambiente de trabalho e a miragem de fabulosa herança (salpicadas todas de relacionamentos ou fatais atrações pelas mulheres), o padre de quatro séculos antes vê-se em meio a uma guerra de índios um pouco como o jovem Fabrice del Dongo, de Cartuxa de Parma, de Stendhal, que se misturou às tropelias da batalha de Waterloo sem saber que aquilo era a batalha de Waterloo. A guerra em questão era o ataque bandeirante contra a Missão de Jesus Maria, dos jesuítas espanhóis, objeto de um dos mais inspirados episódios do livro; nele se dá um dos prodígios da boa ficção, que é apresentar o passado tão junto do leitor que o reveste de maior “realidade” do que os “realistas” livros de história.

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Sobre o autor

Diplomata e economista, Ricardo da Costa Aguiar Alves nasceu em São Paulo. Estudou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, formou-se pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas e pelo Instituto Rio Branco do Ministério das Relações Exteriores (onde recebeu o Prêmio Rio Branco no Curso de Preparação à Carreira de Diplomata, foi primeiro colocado no Curso de Aperfeiçoamento de Diplomatas e aprovado com louvor no Curso de Altos Estudos), com pós-graduação em Economia Internacional pela Fondation Nationale des Sciences Politiques do Institut d’Études Politiques de Paris (SciencesPo). Participou da negociação da dívida externa nos anos 90, serviu na Embaixada em Washington, foi Cônsul na África do Sul e no Japão, Conselheiro Sênior do Banco Mundial e representante do Brasil no Conselho Econômico e Social da ONU, em Nova York. É executivo do mercado financeiro.

Ricardo da Costa Aguiar está finalizando outro romance histórico, uma obra de entretenimento que mistura, de um lado, pesquisa rigorosa de aspectos pouco explorados do passado do Brasil com, de outro, investigação saborosa da formação da maneira de ser dos brasileiros.

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